Herói felino ainda está na luta em Alepo apesar da guerra e destruição

Infelizmente, em novembro a casa e ambulância, que ele usava todos os dias para levar as pessoas para o hospital, assim como o abrigo, foram bombardeados.

por Samantha Kelly — publicado 31 dez 2016 - 11:37

Em meio a guerra e ao desespero extremo que permanece em Alepo, Síria, um homem continuou no país se doando por uma causa maior.

Mohammad Alaa Jaleel, eletricista e motorista de ambulância, se recusou a ir embora e ficou para trás, jurando proteger e cuidar dos gatos que permanecem na cidade, tanto ferais quanto os que foram deixados por suas famílias quando fugiram para salvar suas vidas. Ele começou com apenas 20 gatos, porém, os números passaram de cem.

 

Foto: Reprodução/Twitter

 

O nome de Mohammad começou a circular em 2014 depois que a ativista italiana Alessandra Abidin o procurou para oferecer ajuda. Foi desse contato que eles criaram o grupo no facebook Il Gattaro D’Aleppo (o homem dos gatos, tradução livre do italiano) e uma conta no twitter, possibilitando que o mundo ficasse por dentro do que está acontecendo no local.

O grupo recebe ajuda de pessoas vindas de todos os lugares da Europa, Estados Unidos e Coréia do Sul e foi através desse apoio que eles conseguem cuidar e alimentar os animais e dar algum alento para a população humana. Através das doações eles conseguiram construir três poços e doaram duas ambulâncias.

Em entrevista para a BBC, ele relembrou um caso de uma garota que precisou deixar sua gata com ele.

Uma vez uma garotinha pediu para que eu ficasse com sua gata. Sua família iria sair do país e eles vieram aqui pois sabiam do santuário para gatos. Ela tinha criado essa gata desde que ela era filhote. A garota chorava muito enquanto me dava sua gata. Eu tenho tirado fotos da gata e mandado para ela, que agora se encontra na Turquia. Ela me implora para que eu mande fotos de sua pet e me faz prometer que irá devolver o animal quando ela voltar.

Os animais se tornaram amigos, já que muitos de seus amigos ou familiares humanos deixaram o país ou morreram vítimas da guerra.

 

Últimos desdobramentos

 

Foto: Reprodução/Twitter

 

Infelizmente, em novembro a casa e ambulância de Alaa, que ele usava todos os dias para levar as pessoas para o hospital, assim como o abrigo, foram bombardeados. As casualidades incluem o mascate canino, Hope, e alguns gatos que perderam suas vidas.

Ele e sua família estão indo de casa em casa para procurar abrigo, dependendo da bondade da comunidade que unida tenta sobreviver a essa catástrofe.

A vida do ativista está em risco, já que ele pode ser emprisionado ou até mesmo morto.

 

 

Com o forte bombardeio, incluindo bombas de cloro, os animais foram forçados a mudar de local na cidade. Mas mesmo essa outra localização não ficou imune e não demorou muito para que essa área também fosse alvo de novos e pesados bombardeios. Por isso, eles precisaram doar alguns dos gatos para pessoas que estavam fugindo para outros lugares mais seguros no país.

 

 

Segundo a conta no twitter do santuário eles conseguiram encontrar um novo local, porém, ainda não sabemos quantos gatos se encontram no novo ambiente.

O trabalho não acaba e eles continuam ajudando, mesmo estando em uma situação absurdamente extrema. É preciso acreditar, mesmo com tantos motivos para não. E a mensagem deixada por Alaa é a maior lição de todas:

Nós vivemos no inferno, mas continuamos humanos, sem perder a ternura.

 

 

Não deixem de seguir e ajudar o trabalho deles.

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