Castração em gatos

A castração consiste na retirada das gônadas sexuais dos animais, ou seja, impede que os animais produzam hormônios sexuais, consequentemente não se reproduzindo.

por George Augusto — publicado 17 maio 2015 - 21:13

Um dos temas que mais geram polêmicas dentro do reino animal é a castração. Existem dois grandes grupos de tutores que se posicionam com diferentes ideais e justificativas com respeito à esterilização dos animais de companhia. Uma gama de pessoas concorda com a prática, no entanto outros condenam totalmente a ação. É possível ainda encontrar tutores que não sabem as vantagens de se fazer uma castração em seu animal ou até mesmo do que se trata a castração propriamente dita.

Antes de começarmos a falar sobre a castração em gatos, é importante esclarecer de que se trata de um procedimento cirúrgico, necessitando da presença do médico veterinário devidamente registrado no Conselho de Medicina Veterinária – CRMV. Por mais que a castração dos machos seja uma cirurgia minimamente invasiva, é necessário que seja realizada em um centro cirúrgico apropriado, com toda a segurança biológica que os pets necessitam. Não aceite procedimentos cirúrgicos fora do centro cirúrgico. As clínicas e hospitais veterinários são os locais mais indicados para levar seu gato.

É importante que na hora em que o tutor optar pela castração do seu pet, sejam exigidos exames complementares para uma melhor segurança na hora da cirurgia. Exames como Hemograma, função renal e função hepática podem ser muito valiosos nesse momento. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os gatos não sofrem com dor alguma na esterilização. O médico veterinário usa de técnicas anestésicas eficazes no momento do procedimento, e de terapia medicamentosa no pós-operatório do felino, fazendo com que ele saia estabilizado e sem dor.

A castração consiste na retirada das gônadas sexuais dos animais, ou seja, impede que os animais produzam hormônios sexuais, consequentemente não se reproduzindo. Nos machos, são retirados os testículos. Uma cirurgia minimamente invasiva e que tem uma duração operatória bem rápida, comparada a outros procedimentos. Já a castração da fêmea, é um pouco mais demorada que a do macho, pois nesse caso, necessitará de uma incisão cirúrgica a ser feita no abdômen da gata, chamada também de OSH (Ováriosalpingohisterectomia). Esta consiste na remoção do útero e dos ovários, dando uma segurança bem maior quanto ao risco de doenças do sistema reprodutor feminino.

Ambas as cirurgias são classificadas como simples e o animal, dependendo do quadro, pode levar alta no mesmo dia em que foi feita a castração.

O grande erro que ainda ocorre em tutores de gatos é a utilização do anticoncepcional. Essa prática é totalmente contra indicada em qualquer situação. Um dos grandes motivos das pessoas não escolherem a castração é por ficarem com pena do animal ou porque pensam que o anticoncepcional é mais barato, comparado à cirurgia. Já foi provado que o anticoncepcional sai mais caro para o tutor do que uma cirurgia de esterilização. O valor da castração é investido apenas uma vez para toda a vida do pet, já o anticoncepcional é utilizado durante toda a vida da gata.

Além de o valor financeiro ser mais oneroso, o anticoncepcional causa danos gravíssimos na saúde das gatas. O uso pode levar a cânceres de mama,  infecções graves no útero e nos ovários. São também facilmente encontradas gatas com distúrbios endócrinos graves, levando a uma piora significativa do quadro de saúde. Além das despesas com o anticoncepcional, o tutor deverá arcar com o tratamento para reverter os danos que o anticoncepcional fez, muitas vezes quase triplicando o valor da castração.  As gatas que tomam o anticoncepcional têm uma estimativa de vida bem menor comparada com as gatas castradas.

A castração, tanto em fêmea quanto em machos, é amplamente utilizada como forma de prevenção de doenças. Ao retirar suas gônadas, evitará a secreção em larga escala de hormônios, consequentemente evita cânceres de mama, útero e ovários em gatas e câncer testicular nos machos.

Foto: Reprodução/flickr

Foto: Reprodução/flickr

Quando a fêmea é castrada antes do primeiro cio, a chance de adquirir câncer de mama é de quase 1%. Já quando é feita nos próximos cios, as chances do aparecimento do tumor vão aumentando, por isso é indicado que seja feita antes do primeiro cio. A castração do macho é indicada a ser feita, em média, aos 8 meses de vida. Nesse caso, os testículos devem estar totalmente formados e em sua posição correta para que seja feita a cirurgia. Já nas gatas, é indicada a histerectomia entre os 6 e 7 meses. No entanto, quem decidirá a idade certa é o médico veterinário, de acordo com o maturação dos sistema reprodutor de cada animal.

Existem muitas lendas em torno da esterilização de animais ainda. Uma delas é a questão do ganho de peso do animal, depois de lhe serem retiradas as gônadas sexuais. Não há nada relacionado com a castração propriamente dita. Na realidade, em alguns animais, o que  ocorre é o aumento do apetite. Nesse caso, é importante que o tutor tenha controle da quantidade e as vezes que ofertará alimento ao gato. Em alguns casos, deixar a comida sempre à disposição do pet pode levar a um ganho de peso significativo.

Outra lenda que é bastante ouvida é que ao castrar um animal ele muda sua personalidade e pode se tornar mais dócil. Não há nada comprovado até o momento. O que se sabe, é que os animais que não têm um controle nutricional pós-castração, ganham peso devido ao aumento na ingestão de comida e consequentemente se tornam mais lentos e se cansam com mais facilidade. Por isso, muitas pessoas  confundem isso com a mudança de comportamento.

É de suma importância a castração de gatos quando o tutor não tem interesse em procriá-los. Assim que o tutor comprar ou adotar um gatinho, é importante a ida ao médico veterinário para o exame de saúde, como também, conversar sobre uma futura castração. Atualmente, não só os animais de rua são castrados, mas os domiciliados e os de raças puras também. Com a castração, ocorre um controle populacional de animais de rua. Isso colabora com a saúde dos animais, assim como com a nossa também.

 

Por: George Augusto von Schmalz Portella de Macedo

Ocupação: Acadêmico de Medicina Veterinária

Contato: [email protected]

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