Toxoplasmose

Concepção errônea sobre grávidas que convivem com gatos e o medo da toxoplasmose acaba resultando no abandono de felinos.

por George Augusto — publicado 17 abr 2015 - 16:51

Quem nunca ouviu falar na tão temida Toxoplasmose? Existe um enorme mito que gira em torno desse tema, culpando principalmente os gatos domésticos como responsáveis pela transmissão da doença. Vários animais podem transmitir essa patologia, no entanto a sociedade culpou os felinos de uma forma tão exagerada, que chamaram a doença popularmente de “Doença dos gatos”. Essa moléstia é causada por um parasita, chamado Toxoplasma gondii, que por sua vez merece bastante atenção, já que é classificado como uma zoonose (Doença transmitida do animal para o ser humano). Ao contrário do que muitos acreditam, os gatos são responsáveis apenas por 1% das infecções em seres humanos, pois essas só acontecem quando a pessoa entra em contato com as fezes dos gatos, isto é, o tutor precisa ingerir os oócitos para se infectar. Vale ressaltar que mesmo o gato sendo infectado as chances são muito pequenas, já que as fezes devem ficar pelo menos vinte e quatro horas no ambiente para serem esporuladas e se tornarem infectantes.

Comparado às outras causas de transmissão, o gato é uma figura não muito importante nesse comparativo. Para um gato ser infectado com o Toxoplasma gondii, o mesmo deverá ingerir também oócitos desse parasita. Normalmente, isso ocorre em animais que são acostumados a comer carne crua ofertadas pelo seu tutor. Existem pesquisas que afirmam que carnes, como por exemplo, suína e ovina são mais propensas ao aparecimento de Toxoplasma. Qualquer animal pode transmitir a Toxoplasmose para o ser humano, desde que a carne desses animais seja consumida de forma errônea.

Concepção errônea sobre grávidas e gatos e o medo da toxoplasmose acabam resultando no abandono de felinos. Foto: Reprodução

Concepção errônea sobre grávidas e gatos e o medo da toxoplasmose acaba resultando no abandono de felinos. Foto: Reprodução

Quando as mulheres estão grávidas ou estão em risco de engravidar, muitos médicos pedem que a gestante, ou futura gestante, procure não manter nenhum contato com o pet, alegando um grande risco à saúde do filho que a paciente carrega. Esquecendo, na maioria das vezes, de alertar sobre as principais fontes de contaminação que acontecem através da alimentação. A Toxoplasmose pode ser transmitida de forma congênita, quando a mãe passa a doença para o filho no momento da gestação. Isso ocorre tanto nos seres humanos quanto nos animais. Existem casos em que o feto não é infectado pelo Toxoplasma gondii durante a etapa intra-uterina, porém é sempre importante a investigação minuciosa.

No caso dos seres humanos, a maior causa para a infecção da Toxoplasmose é a alimentação consumida de forma inadequada.Existem milhares de pessoas que não dispensam uma carne mal passada e verduras sem uma higienização correta. É de suma importância que a aquisição da carne seja feita em um local autorizado e que tenha um médico veterinário responsável pela inspeção dos produtos de origem animal. Tutores que gostam de ofertar carne ao felino, devem obedecer ao mesmo critério de aquisição desse alimento. É importante que todo utensílio culinário, como por exemplo: Garfo, faca, tábula de corte e etc, devem ser devidamente higienizados na troca de manuseio de cada verdura e carne, ou seja, jamais utilize um só utensílio para várias peças de carne, verduras e frutas.

Muitos tutores têm o interesse de saber quando um animal é portador ou não de toxoplasmose através dos sinais clínicos aparentes. O que muitas pessoas não sabem, é que o animal pode apresentar a doença de forma assintomática, isto é, o gato está aparentemente normal, no entanto pode transmitir a doença. Alguns gatos, como dito anteriormente, podem nascer já com a toxoplasmose, e nesses casos, quando não morrem dias depois do parto, podem apresentar um quadro totalmente assintomático. Os felinos que adquirem a doença na sua fase adulta, normalmente são animais que tem deficiências imunológicas, favorecendo o desenvolvimento da moléstia no organismo. Os animais que apresentam a doença de forma assintomática podem apresentar os seguintes sinais, tais como: Dificuldade respiratória; Ascite (acúmulo de líquido no abdômen); Problemas hepáticos;  Desidratação; Linfadenopatia (ínguas espalhadas pelo corpo do pet); Uveíte; Inapetência ou anorexia; Aborto; Problemas neurológicos, como: Tremores e convulsões; Letargia; Depressão, em casos mais graves, morte do animal.

Grávidas e gatos têm tudo a ver. Foto: Reprodução

Grávidas e gatos têm tudo a ver. Foto: Reprodução

Nos seres humanos os sintomas são muito semelhantes ao do gato. Os sinais clínicos mais encontrados nos seres humanos, são: Perda da acuidade visual, que pode levar a cegueira total de um olho ou ambos; Fadiga (cansaço); Dores generalizadas pelo corpo; Manchas espalhadas na pele e febre. Qualquer alteração semelhante a essas, é importante que o médico seja o mais rápido possível consultado.

O diagnóstico para a toxoplasmose em gatos é feito através de uma anamnese feita por um médico veterinário. Conseqüentemente, o profissional irá fazer um exame clínico minucioso no animal. Independentemente se o pet apresente ou não os sintomas semelhantes aos portadores de toxoplasmose, o médico veterinário, na maioria das vezes, requer exames específicos para que o diagnóstico seja fechado de uma forma correta. Nos exames laboratoriais exigidos pelo profissional é avaliado o anticorpo anti-T gondii.

O tratamento de felinos portadores do parasita Toxoplasma gondii é feito através de uma terapia medicamentosa escolhida pelo médico veterinário de sua confiança. De forma alguma esse tratamento pode ser feito por leigos. Muitos tutores se consultam com balconistas de petshops, que acabam passando remédios totalmente errôneos, prejudicando ainda mais a saúde do gato.

Existem fatores que podem evitar problemas maiores, tanto para os animais quanto para os seres humanos. Podemos citar algumas formas de prevenir a Toxoplasmose, tais como: Primeiramente, nunca coma e nem ofereça ao gato carne mal passada ou crua; Lave bem sempre as frutas e legumes que irão ser consumidas; Os talheres devem sempre estar limpos; Ao limpar as caixas de areia do gato, utilize luvas de proteção e despeje-a em um local seguro, juntamente com a areia; Comprar carne devidamente inspecionada por um médico veterinário; Antes de resgatar um gato de rua, leve-o para um exame clínico com um profissional devidamente habilitado; Se possível não entre em casa com sapato da rua; Evite roer a unha; Sempre lave aos mãos antes das refeições; Leve seu animal rotineiramente a uma clínica veterinária.

 

Por: George Augusto von Schmalz Portella de Macedo

Ocupação: Acadêmico de Medicina Veterinária

Contato: [email protected]

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